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11 maio 2014

TOC

Apenas um sentimento e sonho que eu tento conquistar, não é, sua obrigação de realizar. É meu e somente meu o desejo de tocar esta tua caixa torácica que quando meu tato sente meu coração se arrepende de tê-la para mim. Minhas mãos deslizam e fazem caminho no seu peito vigoroso enquanto de olhos fechados seu intimo grita que não deveria estar agindo, atos que só o coração e as calças sabem citar.
Mas, meu amigo, tenho que lhe contar e principalmente dizer que sou humano e sinto esta vontade de tocar-lhe fogosamente e sentir cada milímetro de tua pele. Este seu peitoral em chamas frias e sua pele macia de fios pretos que desenham meus desejos de noites passadas que podem ser recriadas no nosso amor. Teus fios da face, teus olhos cerrados, caminhos errados pro teu coração. Aquele suspiro sofrido de amor e de excitação que somente você tem na boca quando eu, como criança louca, toco tua pele em pura emoção. Sinto falta do arrepio que sai meio vazio do seu coração, mas na boca se mostra com face fervorosa o sabor da paixão. Seu sopro me mata me joga pelas escadas dessa ciranda que nunca anda, mas dentro de mim há esperança de que ai há sim um pouco de vontade da carne que arde em meu peito desenhado em arte do amor que tenho pelo seu coração.
Mas é triste dizer que estas palavras para você tampouco posso citar de medo de amedrontar e confrontar o monstro maior do que eu que me impede de te amar. Este está dentro de ti lutando contra mim com lanças que nem eu tenho vontade de tocar. Há somente aquela mesma de sempre vontade insistente de estar enfurnado no teu peito abraçado de amores frustrados os mesmos que eu, já cansei de sonhar. Não paro um segundo esse testemunho que nem sei se um dia posso lhe mostrar, mas deixo presente a vontade insistente que eu tenho de te amar.

Márcio Mattos

06 agosto 2013

Imaginário e o pior dos sentimentos

Ora eterno e atemporal o nosso vigor foi tomado por indecisão
Porem os pilares que o mesmo sustentava se mantem em alerta
Flechas banhadas de veneno cortando minha face
E minha face banhada de ódio esculpindo a tua dor

Fazemos um belo par de titãs numa luta imortal
Qual cessará com a queda de ambos os lados.
Sofrimento eterno
Qual de nos vai abaixar o punhal pelo bem coletivo

O imaginário toma conta de cada segundo das batidas
De cada lado há, sim, ódio e amor em pleno equilíbrio
O branco no preto e o preto no branco
Está tudo sobre a mesa. Está tudo – mal – resolvido.

Quantas milhas já foram enquanto, ainda, adormecidos
Fingimos um bem comum um pelo outro nessa guerra
Portas bélicas fecharam-se dentro de nosso íntimo
Acreditamos não estarmos armados tão potencialmente

De dentro vem uma peste se alimentando pelo chão
Peçonhento e asqueroso vem dominando o estado
Chegando à boca, aos olhos e a mente ela vem
Passara há tempo o coração deixando sofrimento eterno

Levara de nós a compaixão enquanto numa oração
Dispara o meu coração em pedido lamurioso
Sonhando com as chamas da piedade e da verdade
Talvez, do futuro.

Flechas banhadas de veneno cortando minha face
E minha face banhada de ódio esculpindo a tua dor

Sofrimento eterno, imaginário e o pior dos sentimentos

Márcio Mattos

04 março 2012

Esperança (Primeiro Ato)


Era noite ou era dia. Contudo isso não tem importância. Lembro-me que o mais importante foi a incrível descoberta que eu fiz naquela rua. Eu caminhando pensativo com os olhos no chão e como raramente acontecia; com passos leves. Pensei até que os meus neurônios fossem tomados por chamas. E quando eles em fim queimaram alertando meu coração eu decidi que a minha vida mudaria e eu ganharia um rumo de calma e paz. Em fim na minha vida alguma coisa parecia ter sentido e melhora.
Esperança é um nome para um efeito que eu havia há anos deixado tomar o meu corpo. Borboletas intrusas e malignas que voavam sem respeito no meu estomago, patinhos sanguinários navegando no interior obscuro do sangue de minhas veias. Falta de ar e pele fresca. Medo e paixão queimando a superfície de meu corpo e os poros de minha pele. Eu poderia colocar um fim em todos aqueles sentimentos dolorosos que habitavam o interior de uma espécie de matéria dentro da minha matéria.
A razão tomou conta de mim. Meu corpo esfriou lentamente. Minha pele secou e meus olhos aos poucos perderam o brilho. Estanquei no tempo e no espaço. Parei de frente para a realidade e vi ali na minha frente um jovem como eu de trajes sem cor aproximando a mão branca do meu peito. Foi de arrepiar os nervos vê-lo perfurando meu peito com tanta facilidade. Ele não tinha, como você deve ter imaginado, unhas afiadas ou algo assim. Tinha uma mão doce e jovem. Unhas curtas e dedos gordos. Porém não deixou de doer quando ele perfurou meu peito é claro. Para inicio de discurso o tecido da minha camisa raspando na cicatriz do meu peito me gerou uma irritação enorme. A mesma fez meu corpo todo tremer de arrepio e forneceu-me também uma espécie de careta de nojo e repulsa. Depois disso eu senti uma pontada no pulmão e até imaginei que poderia ser culpa somente do cigarro. Contudo notei que era a força que ele fazia para arrancar alguma coisa de mim. E eu me distraindo com a beleza do céu naquele momento. Poderia dizer que eu sentia certo prazer. Se pode entender. Contudo eu vou manter a pose digna e descente de quem não tem essa espécie de desejo carnal abusivo.
O céu perdeu a beleza. Passei a notar que o azul era normal demais. Que as nuvens eram normais demais. Notei que o brilho da luz que tomava conta dele era luz normal demais para mim. Quando olhei para frente o jovem me sorriu como se sua meta houvesse sido concluída com sucesso. Sorriu-me uma, duas ou mais vezes e saiu da minha frente. E seu eu contasse que não notei o que ele levou embora?
Não me importo muito e nem sequer procuro me preocupar visto que depois daquele instante a vida perdeu toda a sua beleza. Era somente uma conclusão, contudo isto fez que a minha vida ganhasse um novo sentido e perdesse completamente todos os tons. Passei dias e dias enfurnado numa espécie de transe. Meu corpo se levantava da cama. Caminhava até o trabalho onde movia os braços ao som de ordens de uma desgraçada mulher que teimava em saber mais do que sabia e dizer mais do que podia. Eu via o relógio girar, mas não contava as horas e no fim do dia eu caminhava para minha cama para poder dar inicio aquilo de novo.
Passado algum tempo eu, distraído, fui baleado no meio da Praça Gomes Freire. Era tão tarde que ninguém viu isto acontecendo. Eu caí no chão e tremi por algumas horas. Senti uma faísca que não se apagava no meu pulmão. Maldito cigarro, pensei. Pois nem o sangue que jorrava e jorrava do meu peito me tirava àquela queimação. A faísca teimava em ficar acessa. Creio que depois dessa noite tomei um surro da realidade mais uma vez, para não perder o costume do universo e no dia seguinte senti um vazio onde na noite anterior sentia uma queimação. Notei que a falta de esperança me tornava um homem amargo e sem sentimentos.
Márcio Mattos

12 dezembro 2011

Cinco Dias


Conversávamos como dois desconhecidos, o que não passava de uma verdade, relatando pensamentos e devaneios daquela domingo de outubro. Se me recordo bem havia sol naquele dia. A minha felicidade era tão grande que eu não poderia dizer com certeza se havia sol ou se meus olhos brilhavam tanto a ponto de clarear aquela cidade em ruínas pintadas de prata. Ele não emitia muitas palavras. Era para mim um mistério e talvez eu até possa chamá-lo de estranho. Contudo, em algum lugar dentro de mim crescia um ser maligno. Um ser diabólico que se formava aos poucos me dando um pouco de dor de cabeça e náuseas. E que antes de eu dormir acordava feliz dentro de mim. Pronto para sair às noites de novembro cultivando seu veneno pelo meu corpo até chegar aos pontos cruciais. Minha pouca lucidez e meu velho coração.
Dei partida em meus mais secretos desejos. Meus devaneios na cama antes de adormecer. Aquele sentimento que me mantinha acordado com os olhos fechados. Em pouco tempo aprendi a imaginá-lo ao meu lado. Como se fosse meu. Como seria tê-lo bem ali perto de mim. Como seria a textura de sua pele que para mim até então parecia ter gosto de baunilha e aroma dos setes, mais lindos, pecados. Eu imaginava cada segundo do meu toque em seus braços. Tudo me aparecia num sonho sem muito som. Alguns sussurros e o compasso de nossa respiração somente. Imaginava a pele limpa da palma de minhas mãos deslizando em seus ombros. E então o toque leve, doce e de tom rosado de nossos lábios tendo o tão desejado encontro. Sentia meu corpo leve dançando pelo ar enquanto com os olhos fechados somente para poder imaginá-lo. Em meus sonhos ele me envolvia em seus braços com astúcia enquanto nossos lábios ainda dançavam ao som das notas suaves de um piano imaginário.
Aquele abraço era o meu refugio. Ele, um homem, me abraçava parado e quieto. Nossos corpos eram simplesmente uma cópia da cópia de uma escultura antiga. O único gesto ou movimento era o batimento do coração e a respiração calma que ele deixava repousar sobre o meu rosto. Eu repousava a face em seu peito de tão pequeno que eu parecia ser ao seu lado. Seus braços me fechavam perfeitamente e eu buscava o calor de seu corpo ali dentro. Um corpo que me passava calma. Um lugar onde eu poderia me deitar em paz e repousar em sonhos. Ao som apenas da respiração. Sentindo o cheiro da sua pele, em carne, sentindo a calma do seu abraço. Era como se eu pudesse dormir para sempre ali ao seu lado. Eu acabava dormindo sozinho na minha cama sentindo sua presença mais forte do que eu poderia sonhar. Para mim ele estava ali deitado ao meu lado somente esperando que eu virasse e entregasse meu corpo ao seu para juntos sonhar.
[...] O ser que habitava meu corpo fugiu caçoando de mim. Acordei numa tarde de sábado tomado por uma insônia que me percorre a vida desde então.

Márcio Mattos

04 novembro 2011

Somente Por Querer


E eu seria capaz de expressar sentimentos no momento bêbado de amor por alguém? É o que eu me pergunto enquanto no silêncio dessa noite de ilusão eu ouço algumas vozes na minha cabeça. De alguns garotos e de algumas amigas. Até talvez do motorista que me propôs esses últimos minutos ao lado dele, que dorme.
Seria eu um tolo novamente? Por acreditar em alguém que eu pouco conheço? Posso tentar me apaixonar pelo simples fato de valorizar-me como ser neste mundo imundo? Bom seria se eu pudesse fazê-lo. Contudo a força daquele que roubou meu coração aos quatorze anos me faz incapaz de acreditar no céu estrelado que me cobre. São tantos que rodeiam a minha cabeça essa noite. Oh! Céus?!
Posso dizer que ele é um homem que esta brincando sem saber. Mexendo em cada canto do meu ser sem pensar. Fazendo-me viver sem imaginar o quanto eu sou capaz de sonhar. E eu, como um tolo, danço nessa valsa da vida esperando seus olhos. Tentando esquecer o quanto ele pode machucar meu ser. E ele dorme calmo e sereno lá longe. Dentre seus lindos lençóis, que posso imaginá-lo envolvido em branca seda. Seu corpo jovem calmo a cada segundo de sua respiração calma... Calma... Calma.
Quem me dera pudesse. Tê-lo-ia entre meus braços agora se eu fosse o dono da verdade. Se eu fosse dono da razão e do amor. E o amor não fosse tão forte por estar aqui escrito. Ou estar aqui exposto. Ou não estar lá ao teu lado deitado dormindo, aconchegando-o com carinho. Deitando-o em paz. E eu poderia dormir calmo se ele soubesse o que eu tenho vivido em tão pouco tempo, tampouco poderia imaginar o que é que eu sinto aqui dentro. E como sendo eu... sou intenso. Sem notar eu sou romântico. Sem querer eu sou o que não deveria de ser. Sem saber a dor que eu vou sentir por me abrir para alguém que nem ao menos vê o que eu sou capaz de ser.
Não deveras ser piegas ao próximo ingênuo _ Diz meu lado coerente _ Contudo, eu gostaria mesmo é de estar sentindo o cheiro, de perto com minha pele em sua pele, no braço. Sentindo a textura do arrepio. Sentindo teu sentimento dos segundos em que eu degusto sua vida no meu tato. Eu poderia ser mais calmo, eu poderia ser mais cego e eu poderia ser talvez, inconseqüente de estar ali. Porém, o que eu quero é não saber de ser ingênuo e tê-lo. E tê-lo.

Márcio Mattos

02 maio 2011

Vontade

Eu gostaria de estar escrevendo uma carta para você. Mas como é poder imaginar o que eu sinto por alguém que eu não conheço. E eu nunca fui de conhecer alguém tão rápido e instantâneo. Eu quis te conhecer. Naquela noite que sorri para você. Seus olhos brilharam numa alegria que eu nunca verei novamente. Sonhei. Acordei e vivi cada segundo da sua ausência sem ter a esperança da sua presença. O nosso amor não existe. O meu platonismo insistiu em te querer. Eu quis te conhecer ainda mais. Eu quis te querer ainda assim. Ainda que eu não pudesse. Eu ainda quero querer-te mesmo querendo não querer. Ainda quero te esquecer. Mas sinto falta da falta que a vontade de tê-lo me faz. Sou dois em um. E o outro eu é cruel comigo.
Quero lhe falar tudo que sinto por você. Mesmo que isso tudo não exista no mundo real. Fico calmo por saber que estou completamente flutuante no mundo fantasia. E nunca vou dizer que te quero. Nunca vou tentar um beijo que eu sonho. Nunca vou beijar o homem que eu quero conhecer. Nunca vou conhecer. Não nessa vida. Vou te amar em segredo. Ate que este segredo deixe de ser um segredo. Portanto nunca sonhei com você. Nunca o quis. Contudo. Eu quero saber sobre você. E ouvir sua voz para isso. Eu não quero seus beijos. Mas seus abraços me confortam como os de ninguém. Eu não quero tocar sua pele de carne. Mas quero dormir ao seu lado uma noite qualquer. Eu quero esquecer-me de você. Quando eu durmo você toma conta de meus sonhos. Isso pode ser cruel para mim. Isso pode ser verdade. Mesmo não te querendo preciso querer-te para saciar a fome da sua ausência.
Eu nunca te procurei. Eu nunca sonhei contigo. Eu não preciso mais de alguém. Por quê? Pode ser a peça que faltava. Essa pergunta sem resposta. De você ser tudo aquilo que eu sempre quis, mas nunca procurei querer? Eu tentei esquecer um pouco de mim. E esqueci que comecei. Eu morri por alguns dias. Alguns meses, ou algum tempo. Eu me esqueci quanto tempo faz que eu fui esquecer. Eu passei a lembrar sentindo sua essência do meu lado. E eu me lembrei do esquecimento. E no esquecimento lembrei que me esqueci de mim. Não lembro mais por que escolhi esquecer. Quero esquecer isso e viver.
Eu poderia estar escrevendo uma carta. Eu poderia estar deixando de lado o medo e a vergonha. Poderia, talvez, ultrapassar o submeter... Ao seu lado? Nunca vou poder querer-te comigo. Bem sei disso que nunca o tentei. Eu quis te conhecer. Eu quero estar com você. Eu quero sentir um pouco do seu gosto. Eu ainda estou confuso [...]
Márcio Mattos

23 março 2011

Carta de um Palhaço

Vejo sua imagem no topo de uma árvore. A mais alta num jardim sem flores. Sou apenas uma criança. Aquela solitária que sonha construir uma vida sobre os galhos velhos, contudo, puramente jovens. E como eu gostaria de ser o vento para soprar o topo da árvore. Tua pele.
Sou apenas uma criança de um sonho puro. Sou fraco e pequeno.

O tempo pode ser meu maior aliado hoje. Se não fosse pelo mesmo. Deixaria tudo sumir como fumaça. Mesmo que a fumaça não suma por completo. Ainda que com esse pensamento fosse capaz de esquecer-me do ultimo mês. Mas é impossível que minha força seja grande o bastante para matar a essência de um ano de sonhos.
Desde a primeira noite, mesmo sentindo como se não fosse o primeiro suspiro. Quando coberto de estrelas na noite quente e confortável. A observar os olhos de criança num palco vivo de emoções. Ao som de um acordeão que cantava musicas de um tempo antigo. Sentindo cada tecla do piano bravo que toca feroz os segundos em que o circo pegaria fogo. Era somente um sorriso de um palhaço. Tão quieto e inocente com o coração prestes a pular fora da garganta com a emoção dos tambores e o fogo nas argolas. Foi tudo tão magnífico. Ainda sinto ofegante minha respiração.
Foram dias de gloria na fantasia de anéis de cabelo negro em uma pele de porcelana frágil. Silenciosa e Misteriosa. Caminhava calmo. Indo embora. Quando foi a hora que imaginei que o sonho havia acabado. Foi então o fim do mês de maio.
Os ventos uivaram com as chuvas e tempestades de calor das tardes de julho. Quando um festival trouxera vida de volta ao meu pobre coração. Que não tinha sossego desde a primeira ilusão. Antes dos palhaços nos sorrirem e incendiarem nosso coração. Foram-se varias noites até chegar àquela que considero sua. Logo apaguei as luzes e somente pude abrir meus olhos novamente nas noites de São João. Sentindo-me uma criança de dezessete pude sentir uma fraca melodia no murmúrio forte dos espectadores. Ela fugia calma de um sorriso pequeno. Nunca havia chegado tão perto. Nunca haveria de esquecer-me daquele segundo. A tua voz.
Quando os ventos mudam. E sempre o fazem. Dedico-me a paz de um lugar sereno que é mais meu. Um lugar de sonhos e de bancos de madeira. Quando troco o alimento pela doença é um vicio. Posso notar coberto por nuvens e calor solar mais uma vez a pele doce de porcelana dos olhos quietos; calmos e inocentes. Na rotina podia ver meu sonho acontecer por segundos novamente. Tão poucos, contudo, tão longos segundos. Tomavam-me vinte e quatro horas do dia num mundo de suspiros e fechar de olhos. Intenso momento que me dedicava inteiramente a vê-lo passando. Tão perto e sem conhecimento dos meus sentimentos. E de tudo que me acontecia num mundo imaginário que nos rodeava. Ou talvez, apenas a mim.
O mundo calou-se por um instante de coragem. Olhei-o de longe e rabo de olho e tive o então  encontro de seus olhos. Foi no mesmo instante que perdi minha visão. E cego acreditei na ilusão em que nos meus sonhos tornavam-se reais. Quanto gostaria de apagar todo esse passado ultrapassa o numero de estrelas no universo. Mas é impossível que minha força seja grande o bastante para matar a essência de um ano de sonhos.
Há castigos piores neste mundo. Privar-me de sua existência por segundos tem sido para mim o maior martírio dos últimos dezoito anos.  Situação a qual perco juízo e desconheço a razão. Momentos sem controle, quando penso se é capaz de existir alguma forma de amor nos meus devaneios. Sinto falta daquilo que nunca tive.


Márcio Mattos