16 janeiro 2013

Chamada Para Revolução do Segundo Milênio (Ano treze)


O chamamento, por mim tão esperado, porém desconhecido
Deu-se inicio no ano treze do segundo milênio.
Sei que não devo julga-los piores, meu irmãos.
Sei que devo manter em equilíbrio as leis de supremacia.

É dado o momento em que o braço direito é erguido
Portando, não falhe em pensamento de que o esquerdo não o segue em prumo
Sua visão e tão pouco aguçada que vê somente de fronte o totem.
Contudo, digo-lhes que a vista de cima revela, nas balsas
Um desenrolar de raros efeitos que são repetidos num circulo vicioso

Há neles em plena harmonia e troca sentimentos impuros.
Tais como sua ganancia e vaidade. Seu orgulho e maldade
Em suma, todo o embaraçado de sua ingenuidade

Vejo me confuso, todavia atento ao momento que se inicia
Como, de pé sozinho num mar de branco absoluto e tocando
um chão inteiramente lapidado com perfeição em marfim.
Jurando aos IN BRAN que cumprirei sim, senhores, minha tarefa
Jurando a igualdade e o respeito. Jurando tópicos de um longo trato de justiça

Numa variável de tempo que dentro de mim, eu digo a mim para não vacilar.
Eu proclamo para mim que devo ser humilde e nesse momento eu já não sei
Mesmo sabendo muito, qual vai ser o fim. Não o meu, mas o nosso.

Márcio Mattos

24 dezembro 2012

Vinho Doce


Sexo por dinheiro. Amor por diversão.
Nós nos conhecemos no inicio do verão
Sua pele macia que senti por um toque em vão
Deliciou meus lábios para sentir uma espécie de comichão.
Não finja que não me entende Baby.

Você não entende que cinco minutos são o bastante pra te amar
Você não sabe o que meu corpo pensa ao te ver passar
Toque-me levemente, mas seja voraz. Alimente-se de meu corpo
Isso se for capaz

Oh baby você não sabe o que faz com esse olhar
Oh Baby você não sabe o que faz com esse olhar

Meu corpo tem gosto de luxuria e o seu tem um toque de inocência
Este seu cheiro tímido me instiga, meu bem, quero seu corpo
Seu corpo tocando o meu. Levemente, fortemente.
É dessa forma que nós fazemos amor, meu bem
Meu corpo tem gosto de vinho doce.

Delicie-se e me deixe lamber essa ultima gota.

Márcio Mattos

03 julho 2012

Já não conseguem gostar de nada... ninguém?



O que fazer quando a brasa já não abre mais a asa
Quando a cinza já não casa
Quando o fogo já não mais ironiza seu jogo
Quando a fogueira já não faz carreira ?

O que fazer ?

O que fazer quando a pergunta já não mais pergunta
e anda defunta
por aí a assombrar quem é só um esqueleto
a dançar com carnes ou vestido de preto ?

O que fazer quando a conta já não paga a si mesma
e precisa de uma muleta que esteja no bolso do atleta
Que a ensina a correr do credor, ou do amor?

O que fazer quando o meteoro anda sem aquela fumaça
de Marlboro e quando o cometa já te aponta
o caminho da desgreta, da desgraça, do rabo-de-saia
do cambalacho que deu treta
da maracutaia de todo aquele que não sabe se ama
nem a quem amar ?

O que fazer quando o calor já não se lembra da estrela
Que o gerou
Ou quando o motor já não sabe do cientista
Que o inventou, e anda por aí a empurrar carros
tão burros quanto cigarros que foram inventados
por artesãos bizarros
e que acendem o fogo que te gelou ?

O que fazer quando a faísca já não serve de isca
para Borges ou Drummond
Quando o incêndio já não causa dispêndio
ao pensamento de Sade ou Lautréamont
Quando a brasa já não arranha com seu cabelo de fogo
ou de asa
em quem acha muito bom ?




Úmero Card’Osso

29 junho 2012

Rotação


Um novo tempo vem a galope pelas brancas nuvens de um céu de inverno
Brasil ensolarado em manhas tensas de amores perdidos
Um novo caminho se abre por entre selvas de sangue
Como de todo filosofo um bordão diz-se que não será de todo fácil
Não será de todo maravilhoso o caminho e as rochas que dele se fazem
Contudo, proveitoso e virtuoso será o ponto final dessa jornada
Que como todos que ocorrem será também o inicio de um novo ciclo

Poderá mudar seu destino com um simples picar de olhos.
E o destino como um cata-vento muda de direção a todo segundo.
Apesar de um criador ter-nos colocado um linha contada em versos
Uma historia com pontos certos
Poderá ainda assim mudar rumos e atalhos para que cheguemos num final prazeroso
Contudo um carma queima a pele. Uma dor arde em chamas os corações.
 Inicio de nova era. Passos de um novo rumo. Caminhos para uma nova partida.

Como mãos poderosas que me colocaram no mundo.
Especialmente para viver um ensinamento somente meu.
Borram no céu nuvens que me dizem em verdade.
Ele reserva para ti um futuro prospero, deveras melhor do que sonha

Elementos naturais e especiarias astrais tecem meu manto celestial
Guardado para mim há um futuro irreal.
Luto somente pelo prazer de saber que num mundo onde há ódio
Encontro o amor de uma forma surreal.
Alimento-me somente da vontade de tocar meus sonhos.

Márcio Mattos

28 maio 2012

Vênus


Amando intensamente que fiquei louco
E naquela loucura desvairada que encontrei o amor
Aqueles que não me conhecem bem pensam pouco
E poucos sabem que um dia eu senti dor

No primeiro dia de outono comemoramos um aniversario
Contudo, desde então, não sinto seu amor
Ao poucos vou me perdendo novamente
E lentamente já não sei se o estou sentindo novamente
O que eu chamo de amor

Vou sumindo devagar à medida que cada estrela se apaga
E de um bilhão a um vou desaparecendo.
Passo novamente a cair num poço profundo de inquietação
Que alguns chamam de loucura

Sinto saudade, contudo não sei o que significa
Pois quando penso nos nossos dias de gloria
Um sorriso some de repente
Chego a pensar tanto que viro a própria solidão
Junto de ti, sem ti.

Já não ouço suas musicas, já não canto melodias ou serestas
Passos ligeiros me levam aos montes, as festas
E comigo não vejo seu rosto ou seu esplendor.
O brilho forte da sua alegria se apagou e ninguém notou

Às vezes eu penso que te tanto de amar de olhos fechados
Com eles abertos não tê-lo-ei em meus braços
E louco eu volto a procurar um amor, que no fim é somente loucura

02 maio 2012

Posso lhe falar, na maior humildade


Não me faço de santo, tampouco santo sou
Faço de bobo no brilho do amor e da paz
Não me entrego mais por um centavo
Entrego-me por flores e abraços
Nos quais eu abraço a felicidade plena de amar

Meu sonho de cantar foi realizado por um olhar
Minhas noites de luar foram postas em seu lugar
O brilho das estrelas só me faz pensar
Que em meio a toda essa lama eu ainda vou te amar

Bom dia, boa noite
Eu disse em boa companhia e ela me ignorou
Bom dia, boa noite
Faz parte de uma oração que eu faço pelo amor
Bom dia pelo respeito e boa noite pelo fim da dor

Quantos foram os passos que eu dei ate chegar aqui
Quantos enganados eu pisei até descobrir
O valor da minha vida não esta mais em tecidos
Em chamas deliciosas ou em bons chutes no asfalto

Quem dera fosse eu o dono de toda essa realidade
Eu mudaria de cabo a rabo os pontos e virgulas
De um poema que nem mais faz sentido
De um texto sem nexo e sem juízo que eu canto
Puramente pela liberdade de todos os meus irmãos

Onde foi parar o violão da serenata e os espinhos do buque
Porque amor eu já não sei
Onde foi se esconder.

Márcio Mattos

04 março 2012

Esperança (Primeiro Ato)


Era noite ou era dia. Contudo isso não tem importância. Lembro-me que o mais importante foi a incrível descoberta que eu fiz naquela rua. Eu caminhando pensativo com os olhos no chão e como raramente acontecia; com passos leves. Pensei até que os meus neurônios fossem tomados por chamas. E quando eles em fim queimaram alertando meu coração eu decidi que a minha vida mudaria e eu ganharia um rumo de calma e paz. Em fim na minha vida alguma coisa parecia ter sentido e melhora.
Esperança é um nome para um efeito que eu havia há anos deixado tomar o meu corpo. Borboletas intrusas e malignas que voavam sem respeito no meu estomago, patinhos sanguinários navegando no interior obscuro do sangue de minhas veias. Falta de ar e pele fresca. Medo e paixão queimando a superfície de meu corpo e os poros de minha pele. Eu poderia colocar um fim em todos aqueles sentimentos dolorosos que habitavam o interior de uma espécie de matéria dentro da minha matéria.
A razão tomou conta de mim. Meu corpo esfriou lentamente. Minha pele secou e meus olhos aos poucos perderam o brilho. Estanquei no tempo e no espaço. Parei de frente para a realidade e vi ali na minha frente um jovem como eu de trajes sem cor aproximando a mão branca do meu peito. Foi de arrepiar os nervos vê-lo perfurando meu peito com tanta facilidade. Ele não tinha, como você deve ter imaginado, unhas afiadas ou algo assim. Tinha uma mão doce e jovem. Unhas curtas e dedos gordos. Porém não deixou de doer quando ele perfurou meu peito é claro. Para inicio de discurso o tecido da minha camisa raspando na cicatriz do meu peito me gerou uma irritação enorme. A mesma fez meu corpo todo tremer de arrepio e forneceu-me também uma espécie de careta de nojo e repulsa. Depois disso eu senti uma pontada no pulmão e até imaginei que poderia ser culpa somente do cigarro. Contudo notei que era a força que ele fazia para arrancar alguma coisa de mim. E eu me distraindo com a beleza do céu naquele momento. Poderia dizer que eu sentia certo prazer. Se pode entender. Contudo eu vou manter a pose digna e descente de quem não tem essa espécie de desejo carnal abusivo.
O céu perdeu a beleza. Passei a notar que o azul era normal demais. Que as nuvens eram normais demais. Notei que o brilho da luz que tomava conta dele era luz normal demais para mim. Quando olhei para frente o jovem me sorriu como se sua meta houvesse sido concluída com sucesso. Sorriu-me uma, duas ou mais vezes e saiu da minha frente. E seu eu contasse que não notei o que ele levou embora?
Não me importo muito e nem sequer procuro me preocupar visto que depois daquele instante a vida perdeu toda a sua beleza. Era somente uma conclusão, contudo isto fez que a minha vida ganhasse um novo sentido e perdesse completamente todos os tons. Passei dias e dias enfurnado numa espécie de transe. Meu corpo se levantava da cama. Caminhava até o trabalho onde movia os braços ao som de ordens de uma desgraçada mulher que teimava em saber mais do que sabia e dizer mais do que podia. Eu via o relógio girar, mas não contava as horas e no fim do dia eu caminhava para minha cama para poder dar inicio aquilo de novo.
Passado algum tempo eu, distraído, fui baleado no meio da Praça Gomes Freire. Era tão tarde que ninguém viu isto acontecendo. Eu caí no chão e tremi por algumas horas. Senti uma faísca que não se apagava no meu pulmão. Maldito cigarro, pensei. Pois nem o sangue que jorrava e jorrava do meu peito me tirava àquela queimação. A faísca teimava em ficar acessa. Creio que depois dessa noite tomei um surro da realidade mais uma vez, para não perder o costume do universo e no dia seguinte senti um vazio onde na noite anterior sentia uma queimação. Notei que a falta de esperança me tornava um homem amargo e sem sentimentos.
Márcio Mattos