12 junho 2016

Equilibro na razão do dia dos namorados da emoção

Eu posso amar uma música mesmo que está não me responda
Um quadro eu posso admirar mesmo de este não me fale em palavras
A voz não é concreta, porém é materializada e ainda assim, não posso tocá-la
Contudo ela toca meus ouvidos e meu coração num mesmo instante

Posso assumir meu amor aos ventos, se amo um ídolo
A obra em pedra, se eu quiser, posso beijar enquanto meu peito
De flores se enche e se esquenta queimando a dúvida de que a energia
que outrora duvidara existir em nossos amores, ali estava.

Não preciso ter olhos para sentir perto de mim nuances de um amor,
O sopro de sua dor, a felicidade de seu sorriso, até mesmo sua voz estranha
Floreando palavras escapas de sorrisos que ainda hoje me fazem sentir paz
[Com a licença de suspirar, por enquanto escrevo, lembrar-me novamente deste.

E sentir-se rodeado pelos fantasmas da doença que psicopateia minha fala
Que proíbem minha liberdade de ver em nuvens suas formas, de ver luzes
De sentir-me poetizando os momentos, emaranhando os sentimentos
Desejando seu corpo aquecendo meus medos e cortes na pele que ardem no frio

Desejo previamente impedido ornando do consentimento de não poder e não querer
Não querer querendo respeitar os espaços, manter os laços e sorrir diariamente feliz
Assumir desejo sonho beijo de estar do seu lado rindo com medo de querer-te mais que bem
Em fim sofrendo amores justos, que por convenção, injusto, de equilibro, por ti, nada tem

E permanecer, confuso e perdido, no labirinto sombrio pincelado de neblina e azul bali
Ainda parado em questionamento constante, pois, posso amar uma música mesmo que esta
não me responda e um quadro eu posso admirar mesmo de este não me fale em palavras
Contudo amar-te não posso e assumi-lo não devo, nem em desejos.


Pois assim nossa amizade acaba.

Márcio Mattos

22 maio 2016

*Nunka Pencei

Sinto dentro de mim um sentimento sufocante
Ao mesmo tempo em que sufocante. Confortante
Nunca em meus mais belos dias respirara assim, tão suavemente
Minha inspiração é leve, porem sombria
Quando penso em você passo a notar que nunca imaginaria
Apaixonar-me por sua existência de tal forma

Sua juventude longínqua e sua serenidade
Sua dor comove-me a ponto de sufocar-me
Queria ter-lo em meus braços
A fim de tornar-te feliz e calmo
Ainda que com medo de estar mentindo
Tanto a ti quanto a mim
Não entendo um terço de meus sentimentos

A primeira vista não me desenhava a possibilidade
De te amar assim com tanta intensidade
Era apenas um garoto desconhecido
Eu brincava de amar-te apesar de ser para mim irrelevante
De repente em teus olhos encontrei um brilho divino
Ainda que esse brilho possivelmente fosse somente
As velas do castelo nas nuvens que eu criara em ti

Sentimento se alimenta de si mesmo
Come o rabo com a boca que flameja
Sentimento que reinventa transitando o afeto
Palpitando no peito desacelera o corpo
Culpa que esculpi o toque, boca que deseja o beijo
Medo que transita o peito, voraz cala minha boca

Para nunca dizer-te que verdadeiramente que eu o desejo. 

Marcio Mattos

19 abril 2015

Across the lake

Love is happening in the other side of the lake
But now we know that is not bad to feel alone
Here we are dancing like we'll have no more chances
Chances to cry with the words they’re saying
In the other side of the lake

Maybe it sounds like I’m feeling good tonight
But my mom told me to never say when I’m feeling good
Because people around us could send bad energies to us
Just because we’re really feeling good

God bless the fairy who put a spell on me
Like some kind of angel who felt that I needed to be free
Today I’m singing like I'll have no more chances
Chances to cry like the people

The people who are living love in the other side of the lake.


Márcio Mattos

12 maio 2014

Minha Julieta e Rom[Eu

o único veneno
                  [a raiva
deitei-me sobre o corpo que eu pensei morto
                                          [triste
tirei minha vida em súplica
                              [desculpas
e em fim morri
               [de felicidade

11 maio 2014

TOC

Apenas um sentimento e sonho que eu tento conquistar, não é, sua obrigação de realizar. É meu e somente meu o desejo de tocar esta tua caixa torácica que quando meu tato sente meu coração se arrepende de tê-la para mim. Minhas mãos deslizam e fazem caminho no seu peito vigoroso enquanto de olhos fechados seu intimo grita que não deveria estar agindo, atos que só o coração e as calças sabem citar.
Mas, meu amigo, tenho que lhe contar e principalmente dizer que sou humano e sinto esta vontade de tocar-lhe fogosamente e sentir cada milímetro de tua pele. Este seu peitoral em chamas frias e sua pele macia de fios pretos que desenham meus desejos de noites passadas que podem ser recriadas no nosso amor. Teus fios da face, teus olhos cerrados, caminhos errados pro teu coração. Aquele suspiro sofrido de amor e de excitação que somente você tem na boca quando eu, como criança louca, toco tua pele em pura emoção. Sinto falta do arrepio que sai meio vazio do seu coração, mas na boca se mostra com face fervorosa o sabor da paixão. Seu sopro me mata me joga pelas escadas dessa ciranda que nunca anda, mas dentro de mim há esperança de que ai há sim um pouco de vontade da carne que arde em meu peito desenhado em arte do amor que tenho pelo seu coração.
Mas é triste dizer que estas palavras para você tampouco posso citar de medo de amedrontar e confrontar o monstro maior do que eu que me impede de te amar. Este está dentro de ti lutando contra mim com lanças que nem eu tenho vontade de tocar. Há somente aquela mesma de sempre vontade insistente de estar enfurnado no teu peito abraçado de amores frustrados os mesmos que eu, já cansei de sonhar. Não paro um segundo esse testemunho que nem sei se um dia posso lhe mostrar, mas deixo presente a vontade insistente que eu tenho de te amar.

Márcio Mattos

23 abril 2014

Encontro

No início era somente eu e meu sentimento exagerado
Talvez na beleza que seu corpo transbordava em luzes
Onde na minha ingenuidade eu enxergava a beleza
Aquela não tão beleza, pura beleza qual eu desconhecia

Você me contava, enrolando os  cachos do meu cabelo
Coisas do amor com toda a veracidade de quem o conhece
E eu, tolo, desacreditava de suas tão belas palavras de liberdade
Aquelas que para mim não eram reais em fato

Depois de tanto mentir egoicamente sobre meu amor inflado
Conhecendo novas ramificações de possibilidades do corpo
Principalmente da minha alma que vai se espalhando pelo ar
Entendi em fim, e com vergonha e arrependimento, digo

Eu sei, hoje, que o amor não esta em tua pele, em tua boca
Sei agora que o amor está dentro de meu corpo fluindo diretamente
Ao seu corpo numa recíproca magnética de desejo pelo bem maior

A minha, a tua e por fim,  nossa felicidade

06 agosto 2013

Imaginário e o pior dos sentimentos

Ora eterno e atemporal o nosso vigor foi tomado por indecisão
Porem os pilares que o mesmo sustentava se mantem em alerta
Flechas banhadas de veneno cortando minha face
E minha face banhada de ódio esculpindo a tua dor

Fazemos um belo par de titãs numa luta imortal
Qual cessará com a queda de ambos os lados.
Sofrimento eterno
Qual de nos vai abaixar o punhal pelo bem coletivo

O imaginário toma conta de cada segundo das batidas
De cada lado há, sim, ódio e amor em pleno equilíbrio
O branco no preto e o preto no branco
Está tudo sobre a mesa. Está tudo – mal – resolvido.

Quantas milhas já foram enquanto, ainda, adormecidos
Fingimos um bem comum um pelo outro nessa guerra
Portas bélicas fecharam-se dentro de nosso íntimo
Acreditamos não estarmos armados tão potencialmente

De dentro vem uma peste se alimentando pelo chão
Peçonhento e asqueroso vem dominando o estado
Chegando à boca, aos olhos e a mente ela vem
Passara há tempo o coração deixando sofrimento eterno

Levara de nós a compaixão enquanto numa oração
Dispara o meu coração em pedido lamurioso
Sonhando com as chamas da piedade e da verdade
Talvez, do futuro.

Flechas banhadas de veneno cortando minha face
E minha face banhada de ódio esculpindo a tua dor

Sofrimento eterno, imaginário e o pior dos sentimentos

Márcio Mattos

12 junho 2013

Ensaio sobre o amor

...

Ensaio sobre o amor
NA ALEGRIA E NA TRISTEZA DE MEUS PAIS E IRMÃOS

Onde é que se encontra o valor da luta pelo amor em um relacionamento nos dias que se seguem? Talvez este raciocínio esteja aqui somente para que eu possa me justificar ou talvez eu realmente tenha aprendido isto com meus pais.
Meus pais, casados a mais de vinte anos – e eu sei que isso é pouco – me mostraram o valor de conservar um relacionamento pelos tempos em uma forma de perdão. Não pense sequer por um momento que eu vivi uma vida onde assisti um casal se beijando e trocando caricias, carinhos e elogios nos bons momentos e raiva, rancor, repulsa e ódio nos maus. Foi tudo bem balanceado e a forma de expressar certos sentimentos nunca existiu na vida desse casal. Pelo menos, não para mim ou para meus irmãos. Não minto se disser que já os vi trocando algumas caricias e alguns xingamentos. Contudo a vida de amor e ódio do casal se passou mais por traz de nossos olhos e não por censura das crianças e sim porque eles são essas pessoas de emoções fortes, porém dosadas.
Quando o sol sorria na vida amorosa e conjugal do casal. Eram tudo lindos jardins de flores vivas e eles seguiam maravilhosamente uma boa vida. Um bom jantar, um bom descanso. Mas, nota-se, que estes momentos nunca na vida são valorizados como deveriam ser e os mesmos derramavam da balança como água corrente e no momento de vetorizar os pontos quem vai até o chão é sempre o lado da balança em que é o momento da briga e do ódio. Meus pais me mostraram isto em momentos em que pude ver com meus próprios olhos a minha mãe dormir junto de minhas irmãs com olhos marejados ou meu pai no sofá da sala com o olhar perdido. De costas um para o outro a vida seguia assim e na mesa do café eu conversava com minha mãe sobre divorcio. Corte este mal pela raiz, eu pensava. Todavia, e eu sempre me revoltava, eles estavam juntos depois de um tempo. Sorrindo e se amando. Havia o perdão e as coisas voltavam a caminhar normalmente. Mas o problema é que nos momentos de ódio elas não deixaram de caminhar normalmente compreende.

NA ALEGRIA E NA TRISTEZA DE MEUS AMORES E AMIGOS

Nós, jovens de vida e espírito, tão vulgarmente tolos pensamos que sabemos os meios e as leis de uma “primeira” vida. Ora, pois até para aqueles - que como eu - acreditam na vida eterna e na reencarnação sabem que nesta vida somos cobertos com um véu que nos não permite saber daquilo que já aprendemos em vidas passadas. Somos então novos no jogo da vida e principalmente e primeiramente do amor. Pensamos que sabemos como lidar com todas as situações e será que não nos arrependeremos um dia de termos ficado tão firme em certos orgulhos da vida?
Na vida conjugal de meus pais eu procurei um reflexo para justificar o porquê de as pessoas amarem e não estarem junto de seus amores para o resto de suas vidas, na saúde e na doença; na riqueza e na pobreza; na alegria e na tristeza até que a morte os separe. Certo, concordo que não é a primeira pessoa que nós nem ao menos sabemos se é o certo que devemos levar tão a serio – salvo por exceções – contudo eu não estou falando somente de relacionamento. Estou falando do mais puro amor. Uma vez que alguns de nós tivemos a sorte de encontrar, conhecer e desfrutar.
Vêm de certo, primeiramente os bons momentos. Em que o casal vive um amor infinitamente bom e satisfatório. Neste momento os amantes têm as melhores razões do mundo para serem e estarem juntos. Nada os compete o erro e nada os separa jamais. Ate o momento em que o jamais encontra mais uma vez aquele emaranhado de problemas que desequilibra a balança. E volto nas últimas palavras que citei na primeira parte deste ensaio para que fiquemos bem esclarecidos; “as coisas voltavam a caminhar normalmente. Mas o problema é que nos momentos de ódio elas não deixaram de caminhar normalmente”. O casal não mais se vê disposto a lutar pelo que importava. Vê o momento da briga, do ódio e de problemas no relacionamento como um erro irrevogável. Não mais como o momento de amor eterno o momento de dor é fatal. Na balança as coisas boas não justificam as más e as más não justificam as boas. Mas então, cadê o voto de “na alegria e na tristeza”? É para mim como ouvir na alegria amo te eternamente e na tristeza odeio te e esqueço te. Como se os seres fossem perfeitos. E essa perfeição utópica é um problema. Em certos casos essa pessoa parti em busca de outro que devera ser perfeito e se não o for partira em busca de outro e partira em busca de outro e partira em busca de outro e partira [...]
Quando o certo seria, como casal lidar com o momento difícil como um casal. Resolve-lo e seguir em frente bem. Isto não é perder o orgulho, ou se rebaixar. Isto é o amor. É esta a troca de fidelidade que o casal se propõe. Depois de tanta troca e de uma liberdade imensa em intimidade. Porque essas pessoas não são mais capazes de por os panos na mesa e limpar a roupa suja voltando ao que era. Que na verdade, não deixou de ser em momento algum. É somente a variação da alegria e da tristeza.


Márcio Mattos

16 janeiro 2013

Chamada Para Revolução do Segundo Milênio (Ano treze)


O chamamento, por mim tão esperado, porém desconhecido
Deu-se inicio no ano treze do segundo milênio.
Sei que não devo julga-los piores, meu irmãos.
Sei que devo manter em equilíbrio as leis de supremacia.

É dado o momento em que o braço direito é erguido
Portando, não falhe em pensamento de que o esquerdo não o segue em prumo
Sua visão e tão pouco aguçada que vê somente de fronte o totem.
Contudo, digo-lhes que a vista de cima revela, nas balsas
Um desenrolar de raros efeitos que são repetidos num circulo vicioso

Há neles em plena harmonia e troca sentimentos impuros.
Tais como sua ganancia e vaidade. Seu orgulho e maldade
Em suma, todo o embaraçado de sua ingenuidade

Vejo me confuso, todavia atento ao momento que se inicia
Como, de pé sozinho num mar de branco absoluto e tocando
um chão inteiramente lapidado com perfeição em marfim.
Jurando aos IN BRAN que cumprirei sim, senhores, minha tarefa
Jurando a igualdade e o respeito. Jurando tópicos de um longo trato de justiça

Numa variável de tempo que dentro de mim, eu digo a mim para não vacilar.
Eu proclamo para mim que devo ser humilde e nesse momento eu já não sei
Mesmo sabendo muito, qual vai ser o fim. Não o meu, mas o nosso.

Márcio Mattos

24 dezembro 2012

Vinho Doce


Sexo por dinheiro. Amor por diversão.
Nós nos conhecemos no inicio do verão
Sua pele macia que senti por um toque em vão
Deliciou meus lábios para sentir uma espécie de comichão.
Não finja que não me entende Baby.

Você não entende que cinco minutos são o bastante pra te amar
Você não sabe o que meu corpo pensa ao te ver passar
Toque-me levemente, mas seja voraz. Alimente-se de meu corpo
Isso se for capaz

Oh baby você não sabe o que faz com esse olhar
Oh Baby você não sabe o que faz com esse olhar

Meu corpo tem gosto de luxuria e o seu tem um toque de inocência
Este seu cheiro tímido me instiga, meu bem, quero seu corpo
Seu corpo tocando o meu. Levemente, fortemente.
É dessa forma que nós fazemos amor, meu bem
Meu corpo tem gosto de vinho doce.

Delicie-se e me deixe lamber essa ultima gota.

Márcio Mattos

03 julho 2012

Já não conseguem gostar de nada... ninguém?



O que fazer quando a brasa já não abre mais a asa
Quando a cinza já não casa
Quando o fogo já não mais ironiza seu jogo
Quando a fogueira já não faz carreira ?

O que fazer ?

O que fazer quando a pergunta já não mais pergunta
e anda defunta
por aí a assombrar quem é só um esqueleto
a dançar com carnes ou vestido de preto ?

O que fazer quando a conta já não paga a si mesma
e precisa de uma muleta que esteja no bolso do atleta
Que a ensina a correr do credor, ou do amor?

O que fazer quando o meteoro anda sem aquela fumaça
de Marlboro e quando o cometa já te aponta
o caminho da desgreta, da desgraça, do rabo-de-saia
do cambalacho que deu treta
da maracutaia de todo aquele que não sabe se ama
nem a quem amar ?

O que fazer quando o calor já não se lembra da estrela
Que o gerou
Ou quando o motor já não sabe do cientista
Que o inventou, e anda por aí a empurrar carros
tão burros quanto cigarros que foram inventados
por artesãos bizarros
e que acendem o fogo que te gelou ?

O que fazer quando a faísca já não serve de isca
para Borges ou Drummond
Quando o incêndio já não causa dispêndio
ao pensamento de Sade ou Lautréamont
Quando a brasa já não arranha com seu cabelo de fogo
ou de asa
em quem acha muito bom ?




Úmero Card’Osso

29 junho 2012

Rotação


Um novo tempo vem a galope pelas brancas nuvens de um céu de inverno
Brasil ensolarado em manhas tensas de amores perdidos
Um novo caminho se abre por entre selvas de sangue
Como de todo filosofo um bordão diz-se que não será de todo fácil
Não será de todo maravilhoso o caminho e as rochas que dele se fazem
Contudo, proveitoso e virtuoso será o ponto final dessa jornada
Que como todos que ocorrem será também o inicio de um novo ciclo

Poderá mudar seu destino com um simples picar de olhos.
E o destino como um cata-vento muda de direção a todo segundo.
Apesar de um criador ter-nos colocado um linha contada em versos
Uma historia com pontos certos
Poderá ainda assim mudar rumos e atalhos para que cheguemos num final prazeroso
Contudo um carma queima a pele. Uma dor arde em chamas os corações.
 Inicio de nova era. Passos de um novo rumo. Caminhos para uma nova partida.

Como mãos poderosas que me colocaram no mundo.
Especialmente para viver um ensinamento somente meu.
Borram no céu nuvens que me dizem em verdade.
Ele reserva para ti um futuro prospero, deveras melhor do que sonha

Elementos naturais e especiarias astrais tecem meu manto celestial
Guardado para mim há um futuro irreal.
Luto somente pelo prazer de saber que num mundo onde há ódio
Encontro o amor de uma forma surreal.
Alimento-me somente da vontade de tocar meus sonhos.

Márcio Mattos

28 maio 2012

Vênus


Amando intensamente que fiquei louco
E naquela loucura desvairada que encontrei o amor
Aqueles que não me conhecem bem pensam pouco
E poucos sabem que um dia eu senti dor

No primeiro dia de outono comemoramos um aniversario
Contudo, desde então, não sinto seu amor
Ao poucos vou me perdendo novamente
E lentamente já não sei se o estou sentindo novamente
O que eu chamo de amor

Vou sumindo devagar à medida que cada estrela se apaga
E de um bilhão a um vou desaparecendo.
Passo novamente a cair num poço profundo de inquietação
Que alguns chamam de loucura

Sinto saudade, contudo não sei o que significa
Pois quando penso nos nossos dias de gloria
Um sorriso some de repente
Chego a pensar tanto que viro a própria solidão
Junto de ti, sem ti.

Já não ouço suas musicas, já não canto melodias ou serestas
Passos ligeiros me levam aos montes, as festas
E comigo não vejo seu rosto ou seu esplendor.
O brilho forte da sua alegria se apagou e ninguém notou

Às vezes eu penso que te tanto de amar de olhos fechados
Com eles abertos não tê-lo-ei em meus braços
E louco eu volto a procurar um amor, que no fim é somente loucura

02 maio 2012

Posso lhe falar, na maior humildade


Não me faço de santo, tampouco santo sou
Faço de bobo no brilho do amor e da paz
Não me entrego mais por um centavo
Entrego-me por flores e abraços
Nos quais eu abraço a felicidade plena de amar

Meu sonho de cantar foi realizado por um olhar
Minhas noites de luar foram postas em seu lugar
O brilho das estrelas só me faz pensar
Que em meio a toda essa lama eu ainda vou te amar

Bom dia, boa noite
Eu disse em boa companhia e ela me ignorou
Bom dia, boa noite
Faz parte de uma oração que eu faço pelo amor
Bom dia pelo respeito e boa noite pelo fim da dor

Quantos foram os passos que eu dei ate chegar aqui
Quantos enganados eu pisei até descobrir
O valor da minha vida não esta mais em tecidos
Em chamas deliciosas ou em bons chutes no asfalto

Quem dera fosse eu o dono de toda essa realidade
Eu mudaria de cabo a rabo os pontos e virgulas
De um poema que nem mais faz sentido
De um texto sem nexo e sem juízo que eu canto
Puramente pela liberdade de todos os meus irmãos

Onde foi parar o violão da serenata e os espinhos do buque
Porque amor eu já não sei
Onde foi se esconder.

Márcio Mattos

04 março 2012

Esperança (Primeiro Ato)


Era noite ou era dia. Contudo isso não tem importância. Lembro-me que o mais importante foi a incrível descoberta que eu fiz naquela rua. Eu caminhando pensativo com os olhos no chão e como raramente acontecia; com passos leves. Pensei até que os meus neurônios fossem tomados por chamas. E quando eles em fim queimaram alertando meu coração eu decidi que a minha vida mudaria e eu ganharia um rumo de calma e paz. Em fim na minha vida alguma coisa parecia ter sentido e melhora.
Esperança é um nome para um efeito que eu havia há anos deixado tomar o meu corpo. Borboletas intrusas e malignas que voavam sem respeito no meu estomago, patinhos sanguinários navegando no interior obscuro do sangue de minhas veias. Falta de ar e pele fresca. Medo e paixão queimando a superfície de meu corpo e os poros de minha pele. Eu poderia colocar um fim em todos aqueles sentimentos dolorosos que habitavam o interior de uma espécie de matéria dentro da minha matéria.
A razão tomou conta de mim. Meu corpo esfriou lentamente. Minha pele secou e meus olhos aos poucos perderam o brilho. Estanquei no tempo e no espaço. Parei de frente para a realidade e vi ali na minha frente um jovem como eu de trajes sem cor aproximando a mão branca do meu peito. Foi de arrepiar os nervos vê-lo perfurando meu peito com tanta facilidade. Ele não tinha, como você deve ter imaginado, unhas afiadas ou algo assim. Tinha uma mão doce e jovem. Unhas curtas e dedos gordos. Porém não deixou de doer quando ele perfurou meu peito é claro. Para inicio de discurso o tecido da minha camisa raspando na cicatriz do meu peito me gerou uma irritação enorme. A mesma fez meu corpo todo tremer de arrepio e forneceu-me também uma espécie de careta de nojo e repulsa. Depois disso eu senti uma pontada no pulmão e até imaginei que poderia ser culpa somente do cigarro. Contudo notei que era a força que ele fazia para arrancar alguma coisa de mim. E eu me distraindo com a beleza do céu naquele momento. Poderia dizer que eu sentia certo prazer. Se pode entender. Contudo eu vou manter a pose digna e descente de quem não tem essa espécie de desejo carnal abusivo.
O céu perdeu a beleza. Passei a notar que o azul era normal demais. Que as nuvens eram normais demais. Notei que o brilho da luz que tomava conta dele era luz normal demais para mim. Quando olhei para frente o jovem me sorriu como se sua meta houvesse sido concluída com sucesso. Sorriu-me uma, duas ou mais vezes e saiu da minha frente. E seu eu contasse que não notei o que ele levou embora?
Não me importo muito e nem sequer procuro me preocupar visto que depois daquele instante a vida perdeu toda a sua beleza. Era somente uma conclusão, contudo isto fez que a minha vida ganhasse um novo sentido e perdesse completamente todos os tons. Passei dias e dias enfurnado numa espécie de transe. Meu corpo se levantava da cama. Caminhava até o trabalho onde movia os braços ao som de ordens de uma desgraçada mulher que teimava em saber mais do que sabia e dizer mais do que podia. Eu via o relógio girar, mas não contava as horas e no fim do dia eu caminhava para minha cama para poder dar inicio aquilo de novo.
Passado algum tempo eu, distraído, fui baleado no meio da Praça Gomes Freire. Era tão tarde que ninguém viu isto acontecendo. Eu caí no chão e tremi por algumas horas. Senti uma faísca que não se apagava no meu pulmão. Maldito cigarro, pensei. Pois nem o sangue que jorrava e jorrava do meu peito me tirava àquela queimação. A faísca teimava em ficar acessa. Creio que depois dessa noite tomei um surro da realidade mais uma vez, para não perder o costume do universo e no dia seguinte senti um vazio onde na noite anterior sentia uma queimação. Notei que a falta de esperança me tornava um homem amargo e sem sentimentos.
Márcio Mattos

12 dezembro 2011

Cinco Dias


Conversávamos como dois desconhecidos, o que não passava de uma verdade, relatando pensamentos e devaneios daquela domingo de outubro. Se me recordo bem havia sol naquele dia. A minha felicidade era tão grande que eu não poderia dizer com certeza se havia sol ou se meus olhos brilhavam tanto a ponto de clarear aquela cidade em ruínas pintadas de prata. Ele não emitia muitas palavras. Era para mim um mistério e talvez eu até possa chamá-lo de estranho. Contudo, em algum lugar dentro de mim crescia um ser maligno. Um ser diabólico que se formava aos poucos me dando um pouco de dor de cabeça e náuseas. E que antes de eu dormir acordava feliz dentro de mim. Pronto para sair às noites de novembro cultivando seu veneno pelo meu corpo até chegar aos pontos cruciais. Minha pouca lucidez e meu velho coração.
Dei partida em meus mais secretos desejos. Meus devaneios na cama antes de adormecer. Aquele sentimento que me mantinha acordado com os olhos fechados. Em pouco tempo aprendi a imaginá-lo ao meu lado. Como se fosse meu. Como seria tê-lo bem ali perto de mim. Como seria a textura de sua pele que para mim até então parecia ter gosto de baunilha e aroma dos setes, mais lindos, pecados. Eu imaginava cada segundo do meu toque em seus braços. Tudo me aparecia num sonho sem muito som. Alguns sussurros e o compasso de nossa respiração somente. Imaginava a pele limpa da palma de minhas mãos deslizando em seus ombros. E então o toque leve, doce e de tom rosado de nossos lábios tendo o tão desejado encontro. Sentia meu corpo leve dançando pelo ar enquanto com os olhos fechados somente para poder imaginá-lo. Em meus sonhos ele me envolvia em seus braços com astúcia enquanto nossos lábios ainda dançavam ao som das notas suaves de um piano imaginário.
Aquele abraço era o meu refugio. Ele, um homem, me abraçava parado e quieto. Nossos corpos eram simplesmente uma cópia da cópia de uma escultura antiga. O único gesto ou movimento era o batimento do coração e a respiração calma que ele deixava repousar sobre o meu rosto. Eu repousava a face em seu peito de tão pequeno que eu parecia ser ao seu lado. Seus braços me fechavam perfeitamente e eu buscava o calor de seu corpo ali dentro. Um corpo que me passava calma. Um lugar onde eu poderia me deitar em paz e repousar em sonhos. Ao som apenas da respiração. Sentindo o cheiro da sua pele, em carne, sentindo a calma do seu abraço. Era como se eu pudesse dormir para sempre ali ao seu lado. Eu acabava dormindo sozinho na minha cama sentindo sua presença mais forte do que eu poderia sonhar. Para mim ele estava ali deitado ao meu lado somente esperando que eu virasse e entregasse meu corpo ao seu para juntos sonhar.
[...] O ser que habitava meu corpo fugiu caçoando de mim. Acordei numa tarde de sábado tomado por uma insônia que me percorre a vida desde então.

Márcio Mattos

Fique


Alguma vez em sua vida você já sentiu que uma pessoa seria capaz de tocar seu coração inteiramente quebrando barreiras de preconceito e conceitos sociais baseados numa visão minimalista de quem nós somos por fora? Alguma vez sentiu que alguém poderia estar do seu lado te amando por querê-lo bem?
Meu querido amigo, eu somente quero seus sorrisos e suas piadas arrogantes como sinal de sua terna felicidade simples e verdadeira. Não quero nada mais que seus momentos de sono em paz. Os céus brilhando para você na janela de seu quarto ao amanhecer e o vento formigando-lhe o rosto enquanto caminha pela cidade, pela manha. Que saiba saborear o gosto do pão e sentir a doçura do leite quando acordar. Que possa encontrar energia e animo numa xícara de café. Que estes sejam os momentos mais felizes de seu dia para que você tenha fé de que tudo vai estar sempre bem.
Mas gostaria também que eu pudesse estar feliz também. Eu gostaria de cobri-lo antes de dormir. Protegendo-o do frio e deixando confortável para sonhar seus melhores desejos. Eu gostaria de abrir as janelas e convidar o sol para te levantar da cama sem perder o aconchego do calor que te dei na noite passada. Eu quero preparar seu café, ouvir suas idéias e expectativas pro dia que vai enfrentar. Eu gostaria de não saber de você enquanto nos perdemos na rotina profissional para quando chegasse de novo ao lar eu pudesse abraçar-lhe forte e servi-lhe um jantar surpresa.
Ouvi-lo mais uma vez e contar-lhe meus novos segredos. Pra nos apaixonarmos mais uma vez antes que o dia acabasse nos enrolando em lençóis de carinho. Antes que eu pudesse me esquecer do que sinto dentro de mim.
Eu gostaria de vê-lo cansando-se enquanto nós esperamos pelo nosso descanso no futuro. Pegando retratos e lembrando daqueles dias de gloria em que nós ainda tínhamos o vigor de almas jovens. Dessa época que eu só poderia trazer de volta suas xícaras de café, seu jornal matinal e seus abraços na hora de dormir. Como se eu pudesse chamar nosso amor de eterno. Felizes para sempre, talvez.
Eu gostaria de me entregar a isto agora que o vigor ainda me enche os pulmões. Ainda que eu possa correr nas tardes ensolaradas da minha juventude. Tenho vontade de correr até você e dizer-lhe um milhão de coisas que eu tenho prendido no meu peito queimando a minha garganta e pulsando meu coração. Quase o sinto pulando fora do meu peito e explodido nos céus como um foguete.
Eu gostaria de me salvar do infortúnio possível de não tê-lo nos meus braços no futuro. Sinto que preciso correr e puxa-lo de volta para mim antes que atravesse as montanhas e nunca mais volte. Sinto que posso dizer que te amo. Ou posso estar simplesmente apaixonado. Mas sinto que se estivesse ao seu lado. Não importaria, seria feliz e não me perguntaria se faria sentido ou não o mundo ser mundo.
Márcio Mattos