29 junho 2012

Rotação


Um novo tempo vem a galope pelas brancas nuvens de um céu de inverno
Brasil ensolarado em manhas tensas de amores perdidos
Um novo caminho se abre por entre selvas de sangue
Como de todo filosofo um bordão diz-se que não será de todo fácil
Não será de todo maravilhoso o caminho e as rochas que dele se fazem
Contudo, proveitoso e virtuoso será o ponto final dessa jornada
Que como todos que ocorrem será também o inicio de um novo ciclo

Poderá mudar seu destino com um simples picar de olhos.
E o destino como um cata-vento muda de direção a todo segundo.
Apesar de um criador ter-nos colocado um linha contada em versos
Uma historia com pontos certos
Poderá ainda assim mudar rumos e atalhos para que cheguemos num final prazeroso
Contudo um carma queima a pele. Uma dor arde em chamas os corações.
 Inicio de nova era. Passos de um novo rumo. Caminhos para uma nova partida.

Como mãos poderosas que me colocaram no mundo.
Especialmente para viver um ensinamento somente meu.
Borram no céu nuvens que me dizem em verdade.
Ele reserva para ti um futuro prospero, deveras melhor do que sonha

Elementos naturais e especiarias astrais tecem meu manto celestial
Guardado para mim há um futuro irreal.
Luto somente pelo prazer de saber que num mundo onde há ódio
Encontro o amor de uma forma surreal.
Alimento-me somente da vontade de tocar meus sonhos.

Márcio Mattos

28 maio 2012

Vênus


Amando intensamente que fiquei louco
E naquela loucura desvairada que encontrei o amor
Aqueles que não me conhecem bem pensam pouco
E poucos sabem que um dia eu senti dor

No primeiro dia de outono comemoramos um aniversario
Contudo, desde então, não sinto seu amor
Ao poucos vou me perdendo novamente
E lentamente já não sei se o estou sentindo novamente
O que eu chamo de amor

Vou sumindo devagar à medida que cada estrela se apaga
E de um bilhão a um vou desaparecendo.
Passo novamente a cair num poço profundo de inquietação
Que alguns chamam de loucura

Sinto saudade, contudo não sei o que significa
Pois quando penso nos nossos dias de gloria
Um sorriso some de repente
Chego a pensar tanto que viro a própria solidão
Junto de ti, sem ti.

Já não ouço suas musicas, já não canto melodias ou serestas
Passos ligeiros me levam aos montes, as festas
E comigo não vejo seu rosto ou seu esplendor.
O brilho forte da sua alegria se apagou e ninguém notou

Às vezes eu penso que te tanto de amar de olhos fechados
Com eles abertos não tê-lo-ei em meus braços
E louco eu volto a procurar um amor, que no fim é somente loucura

02 maio 2012

Posso lhe falar, na maior humildade


Não me faço de santo, tampouco santo sou
Faço de bobo no brilho do amor e da paz
Não me entrego mais por um centavo
Entrego-me por flores e abraços
Nos quais eu abraço a felicidade plena de amar

Meu sonho de cantar foi realizado por um olhar
Minhas noites de luar foram postas em seu lugar
O brilho das estrelas só me faz pensar
Que em meio a toda essa lama eu ainda vou te amar

Bom dia, boa noite
Eu disse em boa companhia e ela me ignorou
Bom dia, boa noite
Faz parte de uma oração que eu faço pelo amor
Bom dia pelo respeito e boa noite pelo fim da dor

Quantos foram os passos que eu dei ate chegar aqui
Quantos enganados eu pisei até descobrir
O valor da minha vida não esta mais em tecidos
Em chamas deliciosas ou em bons chutes no asfalto

Quem dera fosse eu o dono de toda essa realidade
Eu mudaria de cabo a rabo os pontos e virgulas
De um poema que nem mais faz sentido
De um texto sem nexo e sem juízo que eu canto
Puramente pela liberdade de todos os meus irmãos

Onde foi parar o violão da serenata e os espinhos do buque
Porque amor eu já não sei
Onde foi se esconder.

Márcio Mattos

04 março 2012

Esperança (Primeiro Ato)


Era noite ou era dia. Contudo isso não tem importância. Lembro-me que o mais importante foi a incrível descoberta que eu fiz naquela rua. Eu caminhando pensativo com os olhos no chão e como raramente acontecia; com passos leves. Pensei até que os meus neurônios fossem tomados por chamas. E quando eles em fim queimaram alertando meu coração eu decidi que a minha vida mudaria e eu ganharia um rumo de calma e paz. Em fim na minha vida alguma coisa parecia ter sentido e melhora.
Esperança é um nome para um efeito que eu havia há anos deixado tomar o meu corpo. Borboletas intrusas e malignas que voavam sem respeito no meu estomago, patinhos sanguinários navegando no interior obscuro do sangue de minhas veias. Falta de ar e pele fresca. Medo e paixão queimando a superfície de meu corpo e os poros de minha pele. Eu poderia colocar um fim em todos aqueles sentimentos dolorosos que habitavam o interior de uma espécie de matéria dentro da minha matéria.
A razão tomou conta de mim. Meu corpo esfriou lentamente. Minha pele secou e meus olhos aos poucos perderam o brilho. Estanquei no tempo e no espaço. Parei de frente para a realidade e vi ali na minha frente um jovem como eu de trajes sem cor aproximando a mão branca do meu peito. Foi de arrepiar os nervos vê-lo perfurando meu peito com tanta facilidade. Ele não tinha, como você deve ter imaginado, unhas afiadas ou algo assim. Tinha uma mão doce e jovem. Unhas curtas e dedos gordos. Porém não deixou de doer quando ele perfurou meu peito é claro. Para inicio de discurso o tecido da minha camisa raspando na cicatriz do meu peito me gerou uma irritação enorme. A mesma fez meu corpo todo tremer de arrepio e forneceu-me também uma espécie de careta de nojo e repulsa. Depois disso eu senti uma pontada no pulmão e até imaginei que poderia ser culpa somente do cigarro. Contudo notei que era a força que ele fazia para arrancar alguma coisa de mim. E eu me distraindo com a beleza do céu naquele momento. Poderia dizer que eu sentia certo prazer. Se pode entender. Contudo eu vou manter a pose digna e descente de quem não tem essa espécie de desejo carnal abusivo.
O céu perdeu a beleza. Passei a notar que o azul era normal demais. Que as nuvens eram normais demais. Notei que o brilho da luz que tomava conta dele era luz normal demais para mim. Quando olhei para frente o jovem me sorriu como se sua meta houvesse sido concluída com sucesso. Sorriu-me uma, duas ou mais vezes e saiu da minha frente. E seu eu contasse que não notei o que ele levou embora?
Não me importo muito e nem sequer procuro me preocupar visto que depois daquele instante a vida perdeu toda a sua beleza. Era somente uma conclusão, contudo isto fez que a minha vida ganhasse um novo sentido e perdesse completamente todos os tons. Passei dias e dias enfurnado numa espécie de transe. Meu corpo se levantava da cama. Caminhava até o trabalho onde movia os braços ao som de ordens de uma desgraçada mulher que teimava em saber mais do que sabia e dizer mais do que podia. Eu via o relógio girar, mas não contava as horas e no fim do dia eu caminhava para minha cama para poder dar inicio aquilo de novo.
Passado algum tempo eu, distraído, fui baleado no meio da Praça Gomes Freire. Era tão tarde que ninguém viu isto acontecendo. Eu caí no chão e tremi por algumas horas. Senti uma faísca que não se apagava no meu pulmão. Maldito cigarro, pensei. Pois nem o sangue que jorrava e jorrava do meu peito me tirava àquela queimação. A faísca teimava em ficar acessa. Creio que depois dessa noite tomei um surro da realidade mais uma vez, para não perder o costume do universo e no dia seguinte senti um vazio onde na noite anterior sentia uma queimação. Notei que a falta de esperança me tornava um homem amargo e sem sentimentos.
Márcio Mattos

12 dezembro 2011

Cinco Dias


Conversávamos como dois desconhecidos, o que não passava de uma verdade, relatando pensamentos e devaneios daquela domingo de outubro. Se me recordo bem havia sol naquele dia. A minha felicidade era tão grande que eu não poderia dizer com certeza se havia sol ou se meus olhos brilhavam tanto a ponto de clarear aquela cidade em ruínas pintadas de prata. Ele não emitia muitas palavras. Era para mim um mistério e talvez eu até possa chamá-lo de estranho. Contudo, em algum lugar dentro de mim crescia um ser maligno. Um ser diabólico que se formava aos poucos me dando um pouco de dor de cabeça e náuseas. E que antes de eu dormir acordava feliz dentro de mim. Pronto para sair às noites de novembro cultivando seu veneno pelo meu corpo até chegar aos pontos cruciais. Minha pouca lucidez e meu velho coração.
Dei partida em meus mais secretos desejos. Meus devaneios na cama antes de adormecer. Aquele sentimento que me mantinha acordado com os olhos fechados. Em pouco tempo aprendi a imaginá-lo ao meu lado. Como se fosse meu. Como seria tê-lo bem ali perto de mim. Como seria a textura de sua pele que para mim até então parecia ter gosto de baunilha e aroma dos setes, mais lindos, pecados. Eu imaginava cada segundo do meu toque em seus braços. Tudo me aparecia num sonho sem muito som. Alguns sussurros e o compasso de nossa respiração somente. Imaginava a pele limpa da palma de minhas mãos deslizando em seus ombros. E então o toque leve, doce e de tom rosado de nossos lábios tendo o tão desejado encontro. Sentia meu corpo leve dançando pelo ar enquanto com os olhos fechados somente para poder imaginá-lo. Em meus sonhos ele me envolvia em seus braços com astúcia enquanto nossos lábios ainda dançavam ao som das notas suaves de um piano imaginário.
Aquele abraço era o meu refugio. Ele, um homem, me abraçava parado e quieto. Nossos corpos eram simplesmente uma cópia da cópia de uma escultura antiga. O único gesto ou movimento era o batimento do coração e a respiração calma que ele deixava repousar sobre o meu rosto. Eu repousava a face em seu peito de tão pequeno que eu parecia ser ao seu lado. Seus braços me fechavam perfeitamente e eu buscava o calor de seu corpo ali dentro. Um corpo que me passava calma. Um lugar onde eu poderia me deitar em paz e repousar em sonhos. Ao som apenas da respiração. Sentindo o cheiro da sua pele, em carne, sentindo a calma do seu abraço. Era como se eu pudesse dormir para sempre ali ao seu lado. Eu acabava dormindo sozinho na minha cama sentindo sua presença mais forte do que eu poderia sonhar. Para mim ele estava ali deitado ao meu lado somente esperando que eu virasse e entregasse meu corpo ao seu para juntos sonhar.
[...] O ser que habitava meu corpo fugiu caçoando de mim. Acordei numa tarde de sábado tomado por uma insônia que me percorre a vida desde então.

Márcio Mattos

Fique


Alguma vez em sua vida você já sentiu que uma pessoa seria capaz de tocar seu coração inteiramente quebrando barreiras de preconceito e conceitos sociais baseados numa visão minimalista de quem nós somos por fora? Alguma vez sentiu que alguém poderia estar do seu lado te amando por querê-lo bem?
Meu querido amigo, eu somente quero seus sorrisos e suas piadas arrogantes como sinal de sua terna felicidade simples e verdadeira. Não quero nada mais que seus momentos de sono em paz. Os céus brilhando para você na janela de seu quarto ao amanhecer e o vento formigando-lhe o rosto enquanto caminha pela cidade, pela manha. Que saiba saborear o gosto do pão e sentir a doçura do leite quando acordar. Que possa encontrar energia e animo numa xícara de café. Que estes sejam os momentos mais felizes de seu dia para que você tenha fé de que tudo vai estar sempre bem.
Mas gostaria também que eu pudesse estar feliz também. Eu gostaria de cobri-lo antes de dormir. Protegendo-o do frio e deixando confortável para sonhar seus melhores desejos. Eu gostaria de abrir as janelas e convidar o sol para te levantar da cama sem perder o aconchego do calor que te dei na noite passada. Eu quero preparar seu café, ouvir suas idéias e expectativas pro dia que vai enfrentar. Eu gostaria de não saber de você enquanto nos perdemos na rotina profissional para quando chegasse de novo ao lar eu pudesse abraçar-lhe forte e servi-lhe um jantar surpresa.
Ouvi-lo mais uma vez e contar-lhe meus novos segredos. Pra nos apaixonarmos mais uma vez antes que o dia acabasse nos enrolando em lençóis de carinho. Antes que eu pudesse me esquecer do que sinto dentro de mim.
Eu gostaria de vê-lo cansando-se enquanto nós esperamos pelo nosso descanso no futuro. Pegando retratos e lembrando daqueles dias de gloria em que nós ainda tínhamos o vigor de almas jovens. Dessa época que eu só poderia trazer de volta suas xícaras de café, seu jornal matinal e seus abraços na hora de dormir. Como se eu pudesse chamar nosso amor de eterno. Felizes para sempre, talvez.
Eu gostaria de me entregar a isto agora que o vigor ainda me enche os pulmões. Ainda que eu possa correr nas tardes ensolaradas da minha juventude. Tenho vontade de correr até você e dizer-lhe um milhão de coisas que eu tenho prendido no meu peito queimando a minha garganta e pulsando meu coração. Quase o sinto pulando fora do meu peito e explodido nos céus como um foguete.
Eu gostaria de me salvar do infortúnio possível de não tê-lo nos meus braços no futuro. Sinto que preciso correr e puxa-lo de volta para mim antes que atravesse as montanhas e nunca mais volte. Sinto que posso dizer que te amo. Ou posso estar simplesmente apaixonado. Mas sinto que se estivesse ao seu lado. Não importaria, seria feliz e não me perguntaria se faria sentido ou não o mundo ser mundo.
Márcio Mattos

Perdição


Aqueles murmúrios de amor do quarto ao lado me incomodavam tanto que mesmo entrando de cabeça no relato de Nuria Monfort sobre o desaparecimento de Julian Carax e suas obras queimadas não fui capaz de me concentrar. Eu estava a algum tempo sofrendo daquele que todos conhecem bem e não precisa ser citado aqui e agora. Eu fui deixado no quarto sozinho depois que alguns de meus colegas partiram de ódio. Esqueci as janelas abertas. Lá do meu quanto, no andar mais alto da casa de frente para os céus pintados de azul marinho e com pinceladas de branco ou cinza acabei adormecendo com aqueles sonhos que mais me pareciam pesadelos agora.
Eu dormia sóbrio dos sofrimentos e mesmo que inconsciente descansava sabendo o que o próximo dia me aguardava. Quando o despertador me alertou que o dia me começava abri meus olhos de bom grado. Não havia sono e tampouco mal estar. Contudo fiquei ali deitado de olhos fechados por aproximadamente vinte minutos. Quando retomei a postura de ser me levantei da cama tomado por um branco fantasmagórico que vinha das janelas que dormiram abertas comigo. Naquela madrugada eu havia, varias vezes, acordado e as olhado atento por segundo antes de ser tomado pelo sono novamente.
Toquei a janela com os olhos e vi a cidade tomada pelos fantasmas que se sentiam a vontade deitados sobre os telhados de barro que carregavam uma historia pesada.  Eles se moviam como fumaça e não se importavam se eu estivesse olhando-os nos olhos. Diziam-me algo em silêncio como se sentissem a minha dor somente no olhar. E ali ficaram leves sobre a cidade adormecida que tomava os primeiros raios de luz de um sol escondido por de trás das nuvens grandes e assustadoras.
Despi-me defronte um espelho grande. Onde pude ver mais que algumas costelas sobressalentes na minha pele. Nos meus olhos encontrei um eu acusador que me fuzilava com perguntas que eu sabia que escutaria em algum lugar, mais cedo ou mais tarde. 
“Porque você achou que ele estaria contigo criatura? O que passou pela sua cabeça levando a pensar que ele veria algo de bom nisso aqui? Onde foi que você aprendeu a mentir para si mesmo a ponto de acreditar que vocês poderiam estar juntos?”
Escutei cada palavra do meu reflexo parado. Enquanto eu segurava meus punhos de medo e vergonha. A pele das maças de meu rosto tremia e minha visão foi se perdendo. Eu não notava a força que fazia para não chorar e ao mesmo tempo encarar meus olhos no reflexo. O brilho foi se perdendo e a minha visão se embaçando enquanto as lagrimas se formavam em meus olhos. Abri a boca e um longo suspiro desabrochou meu corpo. Diminui alguns centímetros quando me fechei com vergonha de mim mesmo. Ou dele, aquele garoto que eu havia visto a minha frente alguns segundos atrás. Aquela criança mais ou menos feia. Mais ou menos razoável.
Eu passava pelas fases do sofrimento tão rápido que debaixo da água quente daquela manha eu passei a pensar que algo em mim mudava com o tempo. A cada vez que acontecia eu superava mais rápido e a cada vez eu tinha menos reações. Chorava sem lagrimas ou sussurros. Sofria sem palavras. Sofria de bom grado e com aceitação. Havia algum tempo que eu aceitara em fim que aquele meu criador me impediu de ser amado. E me brotou um amor brutal. O qual me come por dentro. Corroendo tudo o que vê pela frente. E eu sinto que meu coração esta esfriando. À medida que a paixão me queima. Sinto que a cada dia perco um pouco do meu romance. Estou morrendo.
Márcio Mattos